Clarice Lispector Poemas De Saudade

Clarice Lispector é considerada um dos maiores nomes da literatura brasileira. Possui uma escrita inovadora e peculiar, que repercutiu de forma meio negativa aos críticos da época em que vivia. A autoria escrevia romance, como os seus sucessos: “Perto do coração selvagem”, “A hora da Estrela” e “A paixão segundo G.H.”, e também se consagrou no mundo dos contos, com: “A legião estrangeira” e “Laços de Família”. Além disso, ela também escreveu diversas crônicas voltadas para o público infanto-juvenil.

Biografia

O nome de registro de Clarice era Haya Pinkhasovna, nascida na Ucrânica, na cidade de Tchetchelnik, no dia 10 do mês de dezembro do ano de 1920. Os pais de Clarice decidiram viajar para o Brasil para fugir dos perseguidores de judeus, já que estavam vivenciando a Guerra Civil Russa. Então, quando ela possuía apenas um ano, viajaram até a cidade de Maceió. A família mais tarde se mudaria também para Recife e por último para o Rio de Janeiro. No Brasil, todos tivera que mudar os nomes para serem mais fáceis de identificar, e então Haya se tornou Clarice.

Mesmo com dificuldades enfrentadas pela família, Clarice sempre teve acesso a uma boa educação, estudando diversas línguas, como o hebraico, português, inglês, francês, e o iídiche (língua nativa de seus pais). Além disso, ela também fez aulas de piano. A jovem era uma ótima aluna, escrevendo desde pequena alguns poemas.

A mãe de Clarice faleceu no ano de 1930, o que foi muito duro para todos os membros da família. Após o ocorrido a família vai viver no Rio de Janeiro.

Com 19 anos, já no Rio de Janeiro, Clarice ingressa na Escola de Direito da Universidade do Brasil, lá ela nota que sua verdadeira paixão é a literatura, e começa a se dedicar a isso. Estuda além do direito, psicologia e antropologia. E no ano de 1940 publicou o seu primeiro conto, intitulado “Triunfo”.

No ano de 1940 Clarice perde o pai. Nessa época ela decide se dedicar a ser jornalista, se tornando redatora e repórter na revista Agência Nacional, e também no Correio da Manhã e no Diário da Noite.

Na faculdade de direito Clarice conheceu Maury Gurgel Valente, que iria se tornar seu marido. Eles se casaram no ano de 1943. Maury se tornou um diplomata, tendo que viajar para diversos países do mundo, os dois viveram na Itália, Inglaterra, Suíça e nos Estados Unidos. O relacionamento rendeu dois filhos ao casal, Pedro era o mais velho e o mais novo foi Paulo.

Clarice Lispector e Maury Gurgel Valente

Clarice Lispector e Maury Gurgel Valente

No ano de 1959 o casal se separa e Clarice retorna ao Brasil, para viver no Rio de Janeiro junto dos filhos. Foi no Rio que viveu todos os anos até a sua morte, se dedicando a escrever e cuidar dos seus filhos.

Clarice faleceu no dia 9 do mês de dezembro do ano de 1977, um dia antes de completar 57 anos. A causa da morte foi um câncer no ovário.

Obras de Clarice Lispector

  • Romances: Perto do Coração Selvagem (1943); O Lustre (1946); A Cidade Sitiada (1949); A Maçã no Escuro (1961); A Paixão segundo G.H. (1964); Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres (1969); Água Viva (1973); Um Sopro de Vida (1978).
  • Contos: Laços de Família (1960); A Legião Estrangeira (1964); Felicidade Clandestina (1971); Onde estivestes de noite? (1974); A Via Crucis do Corpo (1974); O Ovo e a Galinha (1977); A Bela e a Fera (1979).
  • Novela: A Hora da Estrela (1977).
  • Literatura infantil: O mistério do coelho pensante (1967); A mulher que matou os peixes (1968); A vida íntima de Laura (1974); Quase de verdade (1978); Como nasceram as estrelas (1987).
  • Crônicas: Para não esquecer (1978); A descoberta do mundo (1984).

Poemas de Clarice sobre Saudade

Um dos temas comuns em suas escritas era a saudade, confira abaixo algumas palavras da autora abordando tal sentimento:

“SAUDADES…

Sinto saudades de tudo que marcou a minha vida.
Quando vejo retratos,
Quando sinto cheiros,
Quando escuto uma voz,
Quando me lembro do passado,
Eu sinto saudades…
Sinto saudades de amigos que nunca mais vi,
De pessoas com quem não mais falei ou cruzei…
Sinto saudades dos que foram
E de quem não me despedi direito!
Daqueles que não tiveram como me dizer adeus.
Eu sinto saudades das coisas que vivi
E das que deixei passar;
Sem curtir na totalidade.
Quantas vezes eu tenho vontade de encontrar
Não sei o que…
Não sei onde…
Para resgatar alguma coisa que
Nem sei o que é
E nem onde perdi…”

(Clarice Lispector)

Minha alma tem o peso da luz. Tem o peso da música. Tem o peso da palavra nunca dita, prestes quem sabe a ser dita. Tem o peso de uma lembrança. Tem o peso de uma saudade. Tem o peso de um olhar. Pesa como pesa uma ausência. E a lágrima que não se chorou. Tem o imaterial peso da solidão no meio de outros.” (Clarice Lispector).

“Estou com saudade de mim. Ando pouco recolhida, atendendo demais ao telefone, escrevo depressa, vivo depressa. Onde está eu? Preciso fazer um retiro espiritual e encontrar-me enfim – enfim, mas que medo – de mim mesma.” (Clarice Lispector).

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