Poesias Infantis: A Paixão Pela Arte Começa Cedo

A infância é um período de nossas vidas que estamos cercados pela ludicidade e por isso mesmo, temos contato com tantas ideias mágicas. Quando essas ideias mágicas se transformam em versos, temos como resultado ótimas poesias infantis. Um dos mestres desse tipo de poesia no Brasil é Vinicius de Moraes.

Cecília Meireles é outro grande nome das poesias infantis e também, faz parte desse nosso artigo.

Vinicius de Moraes (1913 – 1980)

O poeta Marcus Vinitius da Cruz e Mello Moraes que ficaria conhecido como Vinicius de Moraes, nasceu no Rio de Janeiro em 1913 e desde muito cedo demonstrou talento com as palavras e talvez por ter começado cedo, a poesia infantil se mostrou uma parte significativa do seu trabalho.

Poeta Marcus Vinitius da Cruz e Mello Moraes

Poeta Marcus Vinitius da Cruz e Mello Moraes

Leia algumas dessas poesias, com certeza alguma delas fez ou faz parte da sua infância.

Relógio

“Passa tempo, tic-tac Tic-tac, passa, hora

Chega logo tic-tac Tic-tac, e vai-te embora

Passa, tempo

Bem depressa

Não atrasa

Não demora

Que já estou Muito cansado

Já perdi

Toda a alegria

De fazer

Meu tic-tac

Dia e noite

Noite e dia

Tic-tac Tic-tac

Tic-tac.”

A Casa

Era uma casa

Muito engraçada

Não tinha teto

Não tinha nada

Ninguém podia

Entrar nela não

Porque na casa

Não tinha chão

Ninguém podia

Dormir na rede

Porque na casa

Não tinha parede

Ninguém podia

Fazer pipi

Porque penico

Não tinha ali

Mas era feita

Com muito esmero

Na Rua dos Bobos

Número Zero

O Elefantinho

Onde vais, elefantinho

Correndo pelo caminho

Assim tão desconsolado?

Andas perdido, bichinho

Espetaste o pé no espinho

Que sentes, pobre coitado?

— Estou com um medo danado

Encontrei um passarinho!

O Pingüim

Bom-dia, Pingüim

Onde vai assim

Com ar apressado?

Eu não sou malvado

Não fique assustado

Com medo de mim.

Eu só gostaria

De dar um tapinha

No seu chapéu de jaca

Ou bem de levinho

Puxar o rabinho

Da sua casaca

As Borboletas

Brancas

Azuis

Amarelas

E pretas

Brincam

Na luz

As belas

Borboletas

Borboletas brancas

São alegres e francas.

Borboletas azuis

Gostam de muita luz.

As amarelinhas

São tão bonitinhas!

E as pretas, então

Oh, que escuridão!

O Leão

Leão! Leão! Leão!

Rugindo como um trovão

Deu um pulo, e era uma vez

Um cabritinho montês.

Leão! Leão! Leão!

És o rei da criação!

Tua goela é uma fornalha

Teu salto, uma labareda

Tua garra, uma navalha

Cortando a presa na queda.

Leão longe, leão perto

Nas areias do deserto.

Leão alto, sobranceiro

Junto do despenhadeiro.

Leão na caça diurna

Saindo a correr da furna.

Leão! Leão! Leão!

Foi Deus que te fez ou não?

O salto do tigre é rápido

Como o raio; mas não há

Tigre no mundo que escape

Do salto que o Leão dá.

Não conheço quem defronte

O feroz rinoceronte.

Pois bem, se ele vê o Leão

Foge como um furacão.

Leão se esgueirando, à espera

Da passagem de outra fera . . .

Vem o tigre; como um dardo

Cai-lhe em cima o leopardo

E enquanto brigam, tranquilo

O leão fica olhando aquilo.

Quando se cansam, o Leão

Mata um com cada mão.

Leão! Leão! Leão!

És o rei da criação!

Cecília Meireles (1901- 1964)

Outra grande poetisa do ramo infantil é Cecília Meireles, cujo nome completo é Cecília Benevides de Carvalho Meireles. Criada pela avó que adorava ditados populares e também cantigas antigas, Cecília teve o interesse pela poesia despertado desde muito cedo.

Escritora Cecília Benevides de Carvalho Meireles

Escritora Cecília Benevides de Carvalho Meireles

A Língua de Nhem

Havia uma velhinha

que andava aborrecida

pois dava a sua vida

para falar com alguém.

E estava sempre em casa

a boa velhinha

resmungando sozinha:

nhem-nhem-nhem-nhem-nhem-nhem…

O Gato Que Dormia

no canto da cozinha

escutando a velhinha,

principiou também

a miar nessa língua

e se ela resmungava,

o gatinho a acompanhava:

nhem-nhem-nhem-nhem-nhem-nhem…

Depois Veio o Cachorro

da casa da vizinha,

pato, cabra e galinha

de cá, de lá, de além,

e todos aprenderam

a falar noite e dia

naquela melodia

nhem-nhem-nhem-nhem-nhem-nhem…

De modo que a velhinha

que muito padecia

por não ter companhia

nem falar com ninguém,

ficou toda contente,

pois mal a boca abria

tudo lhe respondia:

nhem-nhem-nhem-nhem-nhem-nhem…

Veja a animação do poema A língua do Nhem

O Mosquito Escreve

 O mosquito pernilongo

trança as pernas, faz um M,

depois, treme, treme, treme,

faz um O bastante oblongo,

faz um S.

O mosquito sobe e desce.

Com artes que ninguém vê,

faz um Q,

faz um U, e faz um I.

Este mosquito

esquisito

cruza as patas, faz um T.

E aí,

se arredonda e faz outro O,

mais bonito.

Oh!

Já não é analfabeto,

esse inseto,

pois sabe escrever seu nome.

Mas depois vai procurar

alguém que possa picar,

pois escrever cansa,

não é, criança?

E ele está com muita fome.

Leilão de Jardim

Quem me compra um jardim

com flores?

borboletas de muitas cores,

lavadeiras e passarinhos,

ovos verdes e azuis

nos ninhos?

Quem me compra este caracol?

Quem me compra um raio de sol?

Um lagarto entre o muro e a hera,

uma estátua da Primavera?

Quem me compra este formigueiro?

E este sapo, que é jardineiro?

E a cigarra e a sua canção?

E o grilinho dentro do chão?

(Este é meu leilão!)

A Avó do Menino

A avó

vive só.

Na casa da avó

o galo liró

faz “cocorocó!”

A avó bate pão-de-ló

E anda um vento-t-o-tó

Na cortina de filó.

A avó

vive só.

Mas se o neto meninó

Mas se o neto Ricardó

Mas se o neto travessó

Vai à casa da avó,

Os dois jogam dominó.

Uma Palmada Bem Dada

É a menina manhosa

Que não gosta da rosa,

Que não quer A borboleta

Porque é amarela e preta,

Que não quer maçã nem pêra

Porque tem gosto de cera,

Porque não toma leite

Porque lhe parece azeite,

Que mingau não toma

Porque é mesmo goma,

Que não almoça nem janta

porque cansa a garganta,

Que tem medo do gato

E também do rato,

E também do cão

E também do ladrão,

Que não calça meia

Porque dentro tem areia

Que não toma banho frio

Porque sente arrepio,

Que não toma banho quente

Porque calor sente

Que a unha não corta

Porque fica sempre torta,

Que não escova os dentes

Porque ficam dormentes

Que não quer dormir cedo

Porque sente imenso medo,

Que também tarde não dorme

Porque sente um medo enorme,

Que não quer festa nem beijo,

Nem doce nem queijo.

Ó menina levada,

Quer uma palmada?

Uma palmada bem dada

Para quem não quer nada!

Sonhos da Menina

A flor com que a menina sonha

está no sonho?

ou na fronha?

Sonho

risonho:

O vento sozinho

no seu carrinho.

De que tamanho

seria o rebanho?

A vizinha

apanha

a sombrinha

de teia de aranha . . .

Na lua há um ninho

de passarinho.

A lua com que a menina sonha

é o linho do sonho

ou a lua da fronha?

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